domingo, 23 de maio de 2021

Professora paraibana trabalha com projeto de formação para incentivo à leitura: 'ler é desvendar mundos'


Uma professora trabalha com programas de incentivo à leitura para formação de contadores de histórias, na Paraíba. O curso acontece como um projeto de extensão do Centro Estadual de Arte (Cearte), vinculado ao governo do estado, na Biblioteca do Espaço Cultural José Lins do Rêgo. Manu Coutinho enxerga, na educação, infinitas possibilidades de ascensão social. Este foi o tema do Paraíba Comunidade exibido neste domingo (23).

A iniciativa começou com um sonho de criança, quando Manu foi influenciada pela própria mãe, que sempre priorizou a educação. Ao longo da vida, a professora fazia acompanhamento psicoterapêutico e o método de abordagem era aplicado através de histórias.

"Na época em que fazia terapia, minha terapeuta, Alcira Teotônio, sempre usava histórias que me faziam ter um mergulho diferente nas minhas questões".

Manu tem graduação em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Mestrado em Sociologia pela Universidade de Sheffield, na Inglaterra. Foi através da formação que ela conseguiu ampliar, com base na sua própria experiência, o desejo de trabalhar formando contadores de histórias.

Durante um trabalho em que ensinava língua inglesa, numa escola da rede privada de João Pessoa, a professora queria encontrar uma forma de usar a língua em sua diversidade com os alunos, que eram crianças de 3 a 7 anos. "Encontrei a solução nos livros maravilhosos que a escola tinha, e era incrível ver a interação que é a compreensão delas", afirmou.

Manu Coutinho com o filho no braço ao contar histórias para crianças da Paraíba (foto antes da pandemia) — Foto: Manu Coutinho/Arquivo pessoal

"Acabei levantando a bandeira da Contação de Histórias e da Mediação de Leitura como missão!"

Com os bons resultados, Manu decidiu investir na formação de contadores de histórias. Conforme ela divulgava os trabalhos realizados voluntariamente, os convites e oportunidades começaram aparecer. Além do projeto, a professora pesquisa a respeito, escreve artigos e dá palestras sobre a importância da leitura.

Formação de Contadores de Histórias

De acordo com Manu Coutinho, o curso é aberto ao público, mas se restringe a maiores de 18 anos, que tenham interesse no universo das histórias. No entanto, durante todos os anos em que atua na área, é notável uma procura majoritária de mulheres, professoras de educação infantil e fundamental, bibliotecárias, psicólogas, psicopedagogas e catequistas.

"É maravilhoso ver como tudo o que é apresentado na Formação, os participantes levam para as suas realidades! E como essa Formação dá fôlego para os seus projetos, principalmente os de incentivo à leitura".

Durante a pandemia, a realização do curso foi suspensa para evitar a propagação da Covid-19. No entanto, um planejamento está sendo realizado para elaborar técnicas de formação remota. "Estamos experimentando formatos de minicursos, que se encaixam melhor nesse período de isolamento. Mas assim que tudo se estabilizar voltaremos a oferecer a formação", disse.

Manu, que também trabalha com 'contoexpressão', está fazendo uma pós-graduação em Artes-Manuais para Terapias. Essa é mais uma iniciativa de expandir as técnicas desenvolvidas no curso. Para ela, não basta contar histórias oralmente, outras formas de ensino e interação precisam estar em sintonia com a fala para que se concretize o ensino-aprendizagem.

"Eu acredito que quem quer trabalhar com educação precisa ser leitor/leitora. Precisa de uma boa bagagem literária, e eu sei que muitas vezes a nossa formação não contempla. Então incentivar as nossas crianças e jovens a ler não é suficiente. É preciso que nós educadores encontremos o prazer pela leitura, para que nos vejam lendo, para que na nossa fala transpareça a paixão pela leitura", ressaltou.

Círculos de Leitura

Uma das formas de inserir a leitura no cotidiano é por meio dos Círculos de Leitura. Uma roda de conversa é formada e a interação é realizada através do diálogo e trocas de experiências. Na pandemia, o formato desenvolvido pelo projeto da professora Manu, foi adaptado aos encontros virtuais para ampliação do repertório literário.

"Já lemos 1984, de George Orwell, agora estamos lendo Orgulho e Preconceito, da Jane Austen, e o próximo já está escolhido: Dom Casmurro, de Machado de Assis", disse Manu.

Muito mais do que encarar a leitura como um simples recurso didático, os círculos de leitura são uma forma de ensinar que o texto vai além até da própria imaginação. "Ler é fruir. Ler é desvendar mundos possíveis. É oferecer formas de organização e contraponto de ideias, emoções, conceitos. É despertar a imaginação, a abstração, o senso crítico", falou Manu, emocionada sobre os resultados que alcança.
Professora Manu Coutinho entrega certificados para alunas do curso de incentivo à leitura (foto antes da pandemia) — Foto: Manu Coutinho/Arquivo Pessoal

Prática de leitura precisa começar em casa

Em um contexto em que as pessoas estão cada vez mais conectadas a celulares, computadores e smart tvs, as crianças também se inserem nessa realidade. É nesse sentido que a professora Manu Coutinho trabalha e orienta os pais sobre como é possível envolver as crianças no mundo da leitura.

"O exemplo é o melhor ensinamento. As crianças precisam ver os seus responsáveis lendo. O livro precisa estar à disposição da criança, seja em casa ou na escola. Só assim elas se sentirão motivadas a ler".

O fato é que todas as pessoas estão lendo menos. Por esse motivo, algumas dicas foram selecionadas para que uma boa prática de leitura seja efetivada em casa. Essas dicas também fazem parte do curso que Manu coordena. Não só pelo resultado positivo, a paixão pela leitura se tornou parte da identidade dela.

"Eu quero acreditar que iniciativas como a nossa colaborem para criar um ambiente leitor na nossa cidade".

Como executar um plano de leitura

1-Reúna um grupo de pessoas que possam se interessar em aumentar o seu repertório de leitura sobre um tema;

2-Defina que tema é esse! Talvez vocês queiram ler literatura brasileira, ou estrangeira, ou os dois. Quem sabe explorar autores locais? Ou ler gêneros específicos: biografias, suspense, quadrinhos, poesia etc. Escolha algo que dará prazer de ler ao grupo como um todo;

3-Escolham o livro. Por sugestão de alguém, ou por listas de recomendação que se encontram facilmente na internet;

4-Definam a data e hora para o encontro. Há a possibilidade de fazer os encontros à distância até que seja seguro voltar aos presenciais;

5-A medida que for lendo, tome notas das passagens que forem lhe afetando;

6-No dia do encontro compartilhem impressões, tentando embasá-las. Façam leitura em voz alta dos trechos que lhes marcaram, democratizem a fala, com escuta atenta e respeitosa;

7-Escolham a próxima leitura;

8-Boa viagem!

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