segunda-feira, 8 de março de 2021

Paraibana luta contra o câncer pela 4ª vez e acolhe outras mulheres com a doença


Mulher é sinônimo de força, luta e muita resistência. É quem materna, cuida e acolhe, ainda que não tenha forças pra isso. Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, muitas histórias de superação e luta chegam ao nosso conhecimento. Histórias de acolhimento, que ilustram a capacidade feminina de lutar, vencer, e ajudar a vencer, quantas vezes for preciso.

Como a de Maria José Rodrigues, de 56 anos. Natural de Campina Grande, no Agreste da Paraíba, ela é personagem principal de um dessas enredos de superação que emocionam e inspiram. Apesar de todas as dificuldades e dos inúmeros problemas de quem já recebeu diagnóstico de câncer quatro vezes, ela continua acolhendo. E não desanima.

Em 2013, após sentir fortes dores abdominais, ‘dona Zezé’, como carinhosamente é chamada, descobriu um câncer no fígado. O médico responsável, no entanto, alertou que o diagnóstico era apenas o início de uma jornada, por ao que tudo indicava, o tumor no fígado na verdade já era consequência de algum outro local.

Mesmo após a cirurgia, ela continuou sentindo dores fortes e não conseguia se sentir plenamente bem. Foi então que a suspeita médica se comprovou. Um câncer ainda mais agressivo foi descoberto no intestino, e uma batalha ainda mais dura estava prestes a começar.

Dona Zezé deu início aos tratamentos contra os dois tumores, de maneira simultânea. À medida em que fez a cirurgia no intestino, continua passando por sessões de quimioterapia para tratar o tumor no fígado. Passou por inúmeras consultas médicas, chegou a pesar apenas 38kg, mas um desafio ainda maior estava por vir.

Em 2017 ela descobriu um câncer de mama. Conhecido por atingir diretamente o sentimento de “feminilidade” das mulheres, no caso de dona Zezé, o tumor na mama foi ainda mais agressivo. Ela conta que, entre todos os tratamentos que precisou fazer, os procedimentos contra o câncer de mama foram os piores.

“A pior quimioterapia que fiz foi a da mama. Tomei os medicamentos de 21 em 21 dias, e passei uma média de 12 dias a 13 dias em cima de uma cama. Senti enjoo, fraqueza, muitas dores… Se não fosse forte, não aguentaria. Mas não desisti”, conta.

Foi na época do tratamento contra o câncer de mama que dona Zezé enxergou no voluntariado uma possibilidade de dar a volta por cima. Recém criada, a ONG Mulheres de Peito, que fornece apoio psicológico e médico na prevenção e tratamento do câncer de mama em municípios paraibanos, abriu as portas pra dona Zezé.

O Hospital da FAP, que desde o início de sua luta contra o câncer se tornou um lar, passou a ser também um lugar para ela ‘ressignificar’ a dor. Com muita força de vontade, dona Zezé passou a acolher outras mulheres portadoras de câncer. Percebeu que sua dor poderia ajudar a sarar as dores de outras pessoas.

“Comecei a botar uma banquinha na ala de oncologia da FAP pra vender os produtos e arcar com os tratamentos. Nessa barraquinha, passei a ouvir mais as histórias dessas mulheres, e muitas vezes, ao ouvir minha história, quem estava chorando começava a rir”, comenta.

No entanto, após 20 sessões de quimioterapia, 30 sessões de radioterapia, e inúmeras consultas médicas, dona Zezé, infelizmente, recebeu mais um diagnóstico de câncer. Dessa vez no pulmão, em 2020, ano em que o mundo conhecia uma nova ameaça à saúde, que atinge diretamente o sistema respiratório: o novo coronavírus.

Por conta da pandemia, o trabalho voluntário precisou ser adaptado, mas não ficou de lado. Dona Zezé conta que passou a participar de mais palestras online, dar o depoimento em vídeos, mandar mensagens pra mulheres que estão enfrentando o câncer em um contexto tão mais difícil. E o tratamento contra o câncer no pulmão continua, com todos os cuidados necessários, a lentos passos, mas com muita, muita esperança.

“Continuo levando minha vida normal. Não coloco na cabeça que tenho câncer. Mas, por mais forte que sejamos, somos humanas, então fico mal sim. Só que estou vencendo, estou dizendo a outras mulheres que elas podem vencer também. Tem que que levantar a cabeça, enfrentar e dizer ‘eu vou ficar boa’. Se você baixar a cabeça, é pior porque essa doença é terrível”, diz.

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a história de dona Zezé se cruza com a de tantas outras mulheres que, além dos anseios provocados pela pandemia e das lutas particulares, enfrentam o câncer. Um exemplo de força, sororidade e, porque não, de esperança? Afinal, ‘superação’ é sinônimo de ‘mulher’.

“Somos são guerreiras. Superamos tudo. Independente de qualquer doença, problema, levantamos a cabeça e temos fé. Eu caio e me levanto quantas vezes for preciso. Sou mulher”, conclui.

Bruna Couto – Jornal da Paraíba

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