terça-feira, 16 de março de 2021

'Eu tenho dois filhos para criar, estou sentindo dor, falta de ar. Eu tenho medo de ser entubado' desabafa homem com Covid-19 à espera de leito no DF


Um paciente infectado pelo novo coronavírus, e internado no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), no Distrito Federal, usou a câmera do celular para pedir socorro. Em um vídeo, Fábio Gomes, de 38 anos, relata o medo de não conseguir uma UTI no hospital público, que está superlotado.

“Eu tenho dois filhos pra criar, estou sentindo dor. Falta de ar. Eu tenho medo de ser entubado”, diz, ofegante, com uma máscara de oxigênio.

A gravação ocorreu no sábado (13). No domingo (14), a família conseguiu uma liminar na Justiça que exige uma vaga na UTI (saiba mais abaixo), mas, na noite desta segunda-feira (15), ele ainda estava à espera do leito.

Segundo o GDF, há mais de 200 pessoas aguardando leitos de UTI na rede pública do DF. Brigadista, Fábio respira com a ajuda de uma máscara de oxigênio.

O hospital onde está internado fica na região que lidera o número de casos e mortes da Covid-19 no Distrito Federal. Em inspeção realizada na unidade, na última semana, foi relatada a falta de materiais e de médicos suficientes para atender a demanda.

“Eu não estou conseguindo mais ficar nessa situação”, diz o paciente que pediu socorro.

A esposa de Fábio, Janaína Gomes, afirma que o marido está "em estado grave". De acordo com a decisão judicial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF), que garante um leito para o brigadista, caso não haja vaga de UTI na rede pública, a Secretaria de Saúde deve providenciar uma vaga na rede particular e pagar o tratamento. Caso contrário, o GDF vai responder criminalmente por desobediência.

Janaína Gomes conta que a família tem esperança. "A gente está na esperança de que apareça logo um leito de UTI pra ele porque ele está precisando muito", diz ela.


Sem UTIs

O secretário chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, informou que durante o fim de semana, a Secretaria de Saúde se reuniu com integrantes do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública, para discutir o cumprimento dessas liminares.

O GDF aponta que as decisões judiciais são prioridade, e que são atendidas "assim que surge um leito". No entanto, o governo ressalta que pacientes que não estão em estado grave afetam aqueles que precisam de prioridade.

"A Secretaria de Saúde vai disponibilizar todos os dados online para os juízes verificarem a real situação do complexo de regulação", diz Gustavo Rocha.

Segundo o secretário de Saúde Osnei Okumoto, a capital tenta ampliar as vagas de leitos conveniados com a rede particular. No entanto, ele explica que a ampliação depende da demanda nas unidades.

"A rede privada também está, neste momento, completamente tomada pelas internações em leitos de UTI. Então, a disponibilização desses leitos vai acontecendo aos poucos, na medida em que esses hospitais vão dando alta aos pacientes de convênio e aos pacientes particulares", diz Okumoto.


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