terça-feira, 30 de março de 2021

Após superar a marca de 1000 altas do setor Covid, semana começa no Complexo de Patos com ocupação de mais de 90% dos leitos de UTI


No último sábado (27), o setor de isolamento Covid do Complexo Hospitalar Regional Deputado Janduhy Carneiro de Patos (CHRDJC) atingiu o feito de 1000 altas, contabilizadas desde que a unidade passou a ser referência para casos da doença desde março de 2020. Contudo, o boletim de ontem (29), referente à ocupação dos leitos de UTI e Enfermarias no setor de isolamento Covid não traz notícias alentadoras e mostra o limiar de ocupação do setor. Isto porque a ocupação de leitos da UTI Covid passou a marca de 90% e das Enfermarias Clínica Covid está em mais de 70%. “A taxa de ocupação vem crescente e já chegamos a lotar a UTI e as Enfermarias. Nossa expectativa com esse decreto de restrição de circulação de pessoas e que, nos próximos dias, a gente consiga reduzir essa curva de contágio e, consequentemente, diminuir o número de casos e também e internações”, afirma o diretor geral do Complexo, Francisco Guedes, lembrando que as 1000 altas são reconfortantes não apenas para as famílias dos pacientes, mas para as equipes da unidade que estão na linha de frente. “É um numero significativo. São 1000 vidas que foram salvas”, destaca ele.


O médico Pedro Augusto, que desde o ano passado atua na linha de frente do setor de isolamento Covid do Complexo, e que estava de plantão no último sábado foi quem assinou a alta de número 1000 do setor. “Não deixa de ser uma vitória chegarmos a esses dados e esse número é muito importante para a gente e nos traz alegria e a consciência de que estamos lutando contra essa doença e vencendo na maior parte dos casos, mas também nos traz muita reflexão, medo e preocupação porque a gente constata a dimensão desta doença aqui em nossa região”, disse Dr. Pedro. Para ele, a experiência de vivenciar todo esse processo traz muitas lições. “A gente vê pessoas que entram e não se despedem de suas famílias, outros que conseguem superar a doença, felizmente, em maior número, e isso tudo assusta até porque a primeira coisa que essa doença provoca é o isolamento”, afirma ele.

Para Dr. Pedro, ainda mais cruel nesse processo todo de isolamento é quando chega pacientes com algum déficit neurológico ou deficiência e que além de doentes também ficam privadas do olhar e dos afetos de suas famílias. “Tivemos um caso, por exemplo, de um paciente com Síndrome de Down que nunca tinha se separado de seus pais e que por causa do Covid ficou privado deste convívio e carinho por dias. Acompanhei esse caso, vendo o sofrimento e angustia dos pais em não poder chegar perto do filho e do paciente que sentia muita falta dos pais. Felizmente, o rapaz se recuperou e pôde voltar para casa”, lembra o médico, reiterando a importância das pessoas redobrarem o cuidado e mantenham-se vigilantes, usando máscaras, fazendo uso do álcool gel, evitando aglomerações. “A gente percebe que a doença é cíclica e que quando as pessoas se descuidam mais, poucos dias depois a gente começa a observar o aumento exponencial dos casos. Mesmo com o aumento dos leitos do hospital, da UPA de Patos, se a população não tiver consciência, esses leitos serão rapidamente ocupados”, alerta Dr. Pedro.

Sobre ocupação de leitos Covid neste dia 29

O censo do meio dia desta segunda-feira (29) do setor de isolamento Covid do Complexo mostrava que dos 32 leitos de UTI, 30 estavam ocupados com pacientes que necessitam de cuidados intensivos. Dos 32 leitos de enfermaria Covid do Complexo, 22 estão ocupados. No espaço de apoio criado no Hospital Infantil Noaldo Leite, dos cinco leitos de UTI, três estão com pacientes graves e dos 12 leitos de enfermarias destinadas a pacientes com coronavírus, quatro estão ocupados.

Assessoria

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