quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Doses já prontas da CoronaVac são guardadas em galpão com segurança reforçada


Corrente, cadeado e vigilância, 24 horas por dia. A segurança reforçada se justifica: atrás das portas estão guardadas as doses prontas da CoronaVac. O galpão fica dentro do Complexo Industrial do Instituto Butantan, na capital paulista. Não vamos revelar a localização exata por motivo de segurança; é uma informação tão restrita que só os funcionários envolvidos diretamente com o armazenamento das doses sabem onde elas estão guardadas.

A partir de determinado ponto, é necessário usar casacos pesados porque se entra em uma área refrigerada de 2 a 8 graus, mais ou menos a temperatura da nossa geladeira. Quem acompanhou o JN foi o Maurício e o Jorge, que fazem parte da área técnica do Butantan e, pela primeira vez, abriram a área para uma equipe de reportagem.

A vacina está armazenada em várias caixas; mais ou menos 1,5 milhão de doses do lote de 6 milhões que vieram da China. Elas têm, inclusive, a etiqueta da Sinovac, que é a fabricante chinesa da CoronaVac. As caixas vão do chão até o alto. “São 38.400 doses por pallet”, informa o funcionário.

Das vacinas que vieram prontas da China, no fim do ano passado, 4,5 milhões de doses foram para outro galpão, em Guarulhos.

Uma amostra foi selecionada pelo controle de qualidade para a equipe do JN poder observar. São 40 doses dentro dela e, na parte de cima, é possível ver a informação do produto: vacina absorvida Covid-19, o princípio ativo 'antígeno do vírus inativado - Sars-cov-2', a concentração da vacina, e as informações sobre o método de uso, que é uma suspensão injetável aplicada intramuscular por uma injeção.

A única informação que está faltando é o uso emergencial, que vai ser impresso na parte que está em branco assim que a Anvisa se pronunciar sobre o pedido de autorização que o Butantan já fez.

A Anvisa disse que vai decidir neste domingo (17). A agência também vai divulgar se permitirá o uso emergencial da vacina da universidade de Oxford e da farmacêutica AstraZeneca, que têm convênio com a Fiocruz.

Nesta terça, o Butantan anunciou a taxa geral de eficácia da CoronaVac: 50,38%, acima do limite mínimo determinado pela Organização Mundial da Saúde e pela Anvisa. O instituto também explicou que a CoronaVac protegeu 100%, ou seja, todos os voluntários, de terem casos graves ou moderados de Covid. O resultado de eficácia em pacientes que precisaram de alguma assistência foi de 77,96%.

Na semana passada, o Ministério da Saúde anunciou a compra de 100 milhões de doses da CoronaVac; 46 milhões deverão ser enviadas em quatro entregas até 30 de abril.

“Essa vacina nós temos capacidade de distribuir rapidamente para todos os recantos do Brasil. Eu não tenho nenhuma dúvida que a Anvisa vai autorizar o registro da vacina da Sinovac. Ela é segura, ela é eficaz, ela tem efetividade, e vai ser muito importante também na redução da transmissibilidade da doença”, afirma João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência da Covid-19 de São Paulo.

A Associação Médica Brasileira e todas as sociedades de especialidades médicas divulgaram uma nota conjunta na qual pedem que os brasileiros sigam o programa nacional de vacinação contra a Covid e mantenham as medidas para reduzir a transmissão do vírus.

A classe médica afirma que a Anvisa merece a credibilidade da comunidade científica e a confiança da sociedade brasileira, que é urgente o início da vacinação no Brasil, e pede ainda que não se repassem mensagens que desinformam sobre a real eficácia e segurança das vacinas.

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